
Você deve estar se perguntado: e dá para ver tudo isso do ônibus? Sim, e muito mais. Tenho que admitir, odeio engarrafamento e congestionamento (descobrir nas minhas aulas de direção que são coisas distintas), só hoje sei que não é por conta da sensação de perda de tempo, do estresse dos motoristas, loucos, que ficam buzinando como se a rua fosse só deles, ou daquele cheiro horroroso de combustível queimando. Odeio congestionamento por que eles impendem de ver a cidade se revelar, mostrar-se diante dos olhos da gente viva.
Conheço poucas cidades, assim como, menos ainda de suas histórias, mas adoro ficar horas olhando os prédios que nos mostram e nos escondem em suas alcovas, quando andamos despretensiosamente pelas ruas da cidade. Como moro em cidade histórica, o novo e o velho que se imísquem no vai e vem da "pós-modernidade", com as pessoas gritando, brigando, xingando, em meio a praticas religiosas que atendem a ordem de todos os credos, ou ainda que literalmente se amam nas paredes de uma arquitetura ao mesmo tempo bagunçada, colorida e harmoniosa, possível de perceber apenas da janela do ônibus, se o trânsito estiver livre, quando ele saí de um beco, entra numa avenida ou numa rua de grande movimento.
E não pensem que esse encantamento é só com as cidades grandes, metrópoles e megalópolis, pois, acho lindas as cidades do interior, quando aos finais de tarde e domingos as pessoas se reúnem em frente a praça da Igreja, por que, toda cidade pequena tem uma praça na frente da Igreja, ou vice-versa, para falar mal da vida alheia, informar sobre quem tá grávida, quem casou, quem descasou, quem fugiu com o marido/esposa de quem, enquanto a feira esta sendo montada, os produtores da região estão chegando e a cidade vai ficando naquele alvoroço, isso, sem esquecer do brega, por que tem que ter a "lamparina", lugarzinho pra o "rala cocha", pro furdunço da paquera e dos arranjos amorosos.Isso tudo me faz perceber o quanto a cidade é viva, e ela nos diz isso o tempo todo em suas singularidades, mais ainda não aprendemos a preservar, e sobretudo entender esse patrimônio, pois, como ela é um bem público só a tratamos bem quando nos convêm. Agora sei por que quero estudar as cidades.
Simone dos Santos Borges
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